Agosto 20, 2008

Olímpico

Nunca com tanta propriedade se pôde dizer que Gustavo Lima, o atleta que ficou em quarto lugar nas olimpiadas, foi de vela. Entretanto, seriamente preocupado com os acontecimento mais recentes em Pequim, o Comité Olímpico Internacional equaciona a introdução duma nova modalidade, à qual uma das delegações presentes é séria candidata ao ouro: ralhar uns com os outros entremeado com choradinhos.

Hostil

Depois de breve incursão pela Ossétia - estranho destino que marca a "silly season" deste ano - Empreender retoma as hostilidades por estas paragens.

Julho 31, 2008

Agricultor debaixo do tractor

Ao preço que está o gasóleo agrícola, os adubos, a farinha (tão cara que ela está!), e as rações, sobretudo as rações, a decisão mais sensata é parar por uns tempos. Em cinco anos de agricultura intensiva, ainda com o risco da ASAE começar a inspecionar a aplicação do acordo ortográfico, esta é a melhor decisão. Mesmo sendo uma paragem temporária, é a primeira vez que este pequeno agricultor o faz.

Julho 30, 2008

Opções aeroportuárias

Algarvia, de Faro, a irmã de Zézinho vive e trabalha em Paris. Pelo terceiro ano consecutivo, Zézinho foi buscá-la ao aeroporto de ... Sevilha. Para umas merecidas vacaciones no Allgarve.

Julho 29, 2008

Relação universidade-empresa

João Leitão, co-autor da coluna Connectis deste blogue, concedeu uma entrevista sobre a relação universidade-empresa. Questionado que alterações na universidade poderiam favorecer essa relação, respondeu: «Em primeiro lugar, a investigação aplicada e a valorização efectiva de patentes ou modelos de utilidade deveriam ter um peso acrescido na progressão académica dos docentes do ensino superior: universitário e politécnico. Em segundo lugar, as iniciativas de interface entre as unidades do sistema de ensino superior (ensino e investigação) e a administração pública e a comunidade empresarial, devem ser igualmente pontuadas na classificação atribuída às próprias instituições e aos seus colaboradores. Em terceiro lugar, as instituições de ensino superior devem abrir-se à participação efectiva de capitais com origem nas empresas, sob a forma de participação social, em sociedades do tipo público-privadas que objectivem o desenvolvimento e a consecução dos vectores estratégicos de desenvolvimento para Portugal, que está há muito em falta. Em quarto lugar, os esquemas de protecção social reinantes no universo público e privado no território nacional devem ser desblindados, no sentido de promover uma maior mobilidade dos recursos humanos qualificados, em termos nacionais e internacionais, e do privado para o público, e vice-versa.»

Riscas, bolas e bolinhas

Simpáticas, duas ex-alunas de negócios internacionais entraram-me pelo gabinete adentro. Embora não tenha por princípio negar o atendimento a alunas simpáticas, apresentaram outro argumento irrecusável: só queriam cinco minutos do meu tempo. Diz a experiência que quando um aluno pede cinco minutos do tempo do professor, o mais provável é que a verdadeira necessidade seja de uns bons 50 minutos. Tratando-se, contudo, de ex-alunas que já dominam a matéria (e, de facto, elas tinham obtido excelentes classificações em estratégia internacional), fiquei ainda mais curioso sobre aquilo que necessitavam. E tinha razão; queriam, nada mais, nada menos, que lhes comentasse a estrutura de um plano de negócios, ainda por cima para um trabalho duma disciplina de outro professor! Mas a estrutura de um plano de negócios não é uma fórmula matemática que se avalie em cinco minutos. Menos ainda para outro professor. Para mais tratando-se da abertura duma loja lá longe, em Nova Iorque. Ainda, por cima, duma empresa portuguesa de vestuário, de seu nome Vicri. Se dúvidas existissem de que os professores aprendem imenso com os seus alunos (e ex-alunas), elas dissiparam-se porque, imperdoavelmente, eu desconhecia esta Vicri. Lá me explicaram que a Vicri vende camisas a 70 contos, que o Manuel Goucha veste roupa Vicri e, imagine-se, que o vestuário da Vicri possui riscas e bolinhas! Como reconhecidamente Goucha veste bem - e, convenhámos, começa a manhã com boas companhias -, fiquei rapidamente a conhecer o estilo! Ora bolas e bolinhas, já viram o que tinha deixado de aprender se negasse o atendimento às minhas ex-alunas?

Julho 28, 2008

Desempenho e dimensão

"Performance and size: empirical evidence from Portuguese SMEs" é o título do artigo de Zélia Silva Serrasqueiro e Paulo Maçãs Nunes saído no Small Business Economics com data de Agosto de 2008 (Volume 31, Número 2, pp. 195-217).

«This article studies the relationship between company size and performance for small and medium-sized Portuguese companies. Using dynamic panel estimators, we conclude that performance is related positively to size. This relationship suggests the greater relevance of scale effects, diversification and the greater ability of larger companies to cope with market changes. Furthermore, our empirical results show that performance is persistent, not showing discontinuity, suggesting that small and medium-sized Portuguese companies are relatively successful in coping with possible scenarios of aggressive competition. Debt and level of fixed assets influence performance negatively, and separation of management and ownership influence performance positively. Liquidity, risk and ownership control are not relevant in explaining the performance of small and medium-sized Portuguese companies.»

Julho 27, 2008

Património

Património
Philip Roth
Dom Quixote, 2008

Julho 26, 2008

Originalidade

A criação de um novo curso de medicina, neste caso na universidade do Algarve, não pode deixar de levantar perplexidade pois é apresentada como uma pós-graduação dirigida a licenciados em determinadas áreas, motivo que justiticará uma duração intermédia entre uma licenciatura convencional (três anos) e uma licenciatura em medicina (ao que julgo saber entre cinco e seis anos). Significará isto que estes pós-graduados pelo Algarve que venham a deter uma pós-graduação terão habilitações idênticas aos médicos que possuem uma graduação? Estranho. E como fica o finacimanto? Quais os critérios utilizados? Estaremos perante uma mera arbitrariedade baseada na crença errada que o país tem poucos médicos? Enfim, mais uma das manobras trapalhonas e originais que o Governo nos vai servindo e merecem ser bem explicadas.

Julho 25, 2008

Organizações em Rede

Travar a deslocalização



Muito provavelmente, a compra de café feita recentemente deverá ser a última daquela marca. Deverá ser a última porque, entretanto, a operação portuguesa daquele distribuidor retalhista de origem alemã foi adquirida por um concorrente português. Antes do Plus, adquirido pelo Jerónimo Martins (empresa que detém o Pingo Doce e Feira Nova), também o Carrefour (segundo maior distribuidor do mundo) abandonou o mercado português, alienando a sua operação ao Modelo/Continente. Esta empresa do grupo Sonae que já era líder do mercado em Portugal antes da aquisição vê assim reforçada a sua quota de mercado.

A saída de Portugal destas empresas é mais notada por fazerem parte de negócios de consumo com grande impacto nas opções de compra das famílias e consumidores individuais. No entanto, este tipo de operações não merece geralmente grande alarido público pois o seu impacto negativo em termos, por exemplo, de emprego não parece ser significativo. São empresas que são adquiridas por concorrentes que conseguem assim aceder a novos mercados e localizações e, como tal, o número de despedimentos não é normalmente elevado. Na perspectiva dos consumidores tratam-se, contudo, de más notícias pois diminui o nível de rivalidade existente entre concorrentes, reduzindo as alternativas de escolha em termos de lojas, produtos, serviços e preços.

A saída de empresas como o Carrefour e Plus são decisões empresariais que deverão preocupar também os decisores públicos portugueses. Não só porque desaparecem duas importantes empresas do mercado em causa e aumentam os índices de concentração no sector. Mas, também porque a saída de empresas como estas reflecte, em certa medida, uma manifestação de insatisfação da casa-mãe de cada uma delas com o desempenho das suas subsidiárias portuguesas. Ou seja, se estivessem satisfeitas, alienariam os seus activos? Talvez não. Ou seja, fazem-no porque o seu crescimento, rentabilidade, dimensão ou o que quer que seja, torna menos atractiva a sua presença no país. Em síntese, Portugal e tudo o que ele significa é um país periférico. É-o há muitos anos, mas há indícios de que essa periferia se está a acentuar.

Embora o negócio das empresas em causa se mantenha integrado noutros grupos, a saída destas empresas representa uma forma de saída a que devemos juntar pelos menos outros dois tipos de saída: a de empresas industriais que deslocalizam a produção para locais com custos inferiores; e a de empresas que mantendo as suas operações comerciais em Portugal, passam a ser geridas a partir de cidades como Madrid, Barcelona ou Milão. No primeiro caso, o de empresas que ao saírem provocam grande alarido público, tende a haver impactos negativos no emprego e exportações. No segundo caso, o impacto é economicamente menos evidente mas reflecte, ainda assim, a transferência de controlo e poder, e o aumento da dependência de distribuidores e consumidores portugueses.

São diferentes formas de saída que ilustram a menor atractividade do país. Interessaria, por isso, responder de forma plena a uma questão central para a economia portuguesa: porque é que estas empresas abandonam o mercado português?

Só conhecendo os motivos da saída é possível desencadear as políticas adequadas para travar essa deslocalização de empresas para fora do país e manter aquelas que cá estão, ou atrair novos investimentos estrangeiros.

Julho 24, 2008

Analisar o mercado

Em reacção à carta a um jovem empreendedor que aqui tinha escrito, recebemos uma missiva a que também respondi. Eis a missiva:

Caro Vasco,

Antes de mais gostaria de agradecer o facto, que muito me lisonjeou, de me ter endereçado uma carta. Em meu nome e no dos restantes visados o meu muito obrigado.

Pode o meu contacto resultar algo estranho, até porque não nos conhecemos, no entanto é meu hábito responder ao correio que me é dirigido. Assim e após ter lido a sua missiva gostaria de destacar alguns pontos e partilhar o meu ponto de vista enquanto actor desta história, ou melhor, candidato a autor neste momento.

O meu nome é Daniel Afonso, 26 anos, cidadão do Mundo, morando na Maia, licenciado em Eng.ª, consultor em Gestão da Qualidade, Ambiente, Marcação CE desde 2006… apesar de não ter vivido uma situação de desemprego não me satisfaz o facto de trabalhar por conta de outrem para além do meu neurónio ter uma actividade intensa em ideias de negócio, algumas completamente disparatadas outras potencialmente interessantes (ou talvez não ?!), o que faz com que seja demasiado impaciente e inconformado.

Tendo em conta as várias barreiras que identifica eu destacaria o mercado, provavelmente porque é aquele em que as minhas competências não me permitem avaliá-lo e compreender a panóplia de aspectos que andam à volta do dito cujo. No meu caso, apesar de conhecer relativamente bem o mercado ou mercados que pretendo atingir com o produto não sei de que modo posso avaliar o seu VERDADEIRO potencial, de que modo vai reagir a concorrência (é possível estimar isto e planear acções que minimizem o impacto dos nossos amigos?), estará o mercado preparado para o conceito neste momento? De que modo são estas variáveis tidas em conta num plano de negócios?

Neste momento, já estou a imaginar a sua resposta a este e-mail:

“Meu caro Daniel, A minha sugestão, tal como está expresso no final da missiva, passa por apostar em conhecimento: tire um MBA ou coisa que o valha, se bem que em primeiro lugar tenha a certeza relativamente ao estado da sua saúde mental…”

Ora o mais engraçado é que eu concordo com essa opção, no entanto contínua a existir um aspecto muito sensível e fraco: eu não tive a oportunidade de analisar vários projectos de empreendedorismo nem conhecimentos que me permitam identificar os seus pontos fracos. Uma opinião/sugestão de alguém que perceba efectivamente do assunto é fundamental e por isso gostaria de lhe lançar esse mesmo desafio (desafio??? O individuo está a brincar comigo, certo?): estaria disposto a ajudar a limar as arestas de um projecto de um jovem empreendedor?

Para finalizar e antes de me despedir, apraz-me dizer-lhe que analisando o conteúdo deste e-mail posso sempre ponderar e tentar estimar a probabilidade de sucesso no mundo da política (ou não)!

Com os meus melhores cumprimentos e até breve,
Daniel Afonso


E a resposta:

muito obrigado pela sua mensagem. Respondendo directamente às questões que coloca, a sugestão mais imediata que me ocorre são leituras sobre análise/pesquisa de mercado. Existem imensos livros sobre o tema; se, por exemplo, for à amazon.com e digitar "marketing research" surgem de imediato bons manuais sobre o tema. Há evidentemente outras sugestões que poderia fazer-lhe como, por exemplo, procurar formação na área ou subcontratar parte deste serviço a gente capaz. Na hipótese de ir avante com as suas ideias, uma outra sugestão é procurar apoios em incubadoras de empresas que lhe possam prestar este serviço, embora, desde já o alerte para o facto de estar a lidar com matéria delicada sobre a qual não é fácil encontrar competências no mercado.

Julho 23, 2008

Eu também quero uma estação do TGV à porta de casa

Fontes credíveis garantiram a Empreender que existem governantes a prometer apeadeiros de TGV a várias freguesias. Aparentemente o raciocinio é simples: se se construiram tantos estádios de futebol que ninguém utiliza, porque não fazer o mesmo com estações e apeadeiros para o TGV?!

Julho 22, 2008

Distribuição automóvel europeia

Mudanças na distribuição automóvel europeia
Vasco Eiriz e Natália Barbosa
Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão 7(1): 44-54

Este artigo discute as mudanças em curso na distribuição automóvel europeia desencadeadas pela sua actual regulamentação. Reconhecendo que no sistema de negócios do automóvel existem vários sectores que merecem análise, neste estudo de caso procede-se a um diagnóstico detalhado da situação actual e futura da distribuição automóvel na Europa. Na interpretação dos dados recolhidos em diferentes fontes documentais, utilizou-se um enquadramento conceptual vasto que envolve contributos da estratégia, marketing, e economia industrial e da empresa. Na análise do sector discute-se a sua estrutura, dinâmica e crescimento, concorrência, e relações inter-empresariais de natureza horizontal e relações verticais no seio do sector da distribuição automóvel. Identifica-se ainda o processo de mudança em curso e discutem-se as implicações dessas mudanças para o sector.

Julho 21, 2008

Fiscal imobiliário

É gratificante para o proprietário saber que o seu imóvel pode ser revalorizado por quatro vezes. Para efeitos fiscais. Pena é que as finança não estejam dispostas a comprá-lo pelo valor que lhe atribuem!

Julho 20, 2008

Logística

Julho 18, 2008

Espelho meu, espelho meu ...

Momento narcisista: «Boa tarde professor! Findo o meu relatório e respectiva defesa, queria agradecer-lhe pelo contributo e apoio preciosos que me deu para esta fase de conclusão da minha licenciatura! Tive muito gosto em ser aluna de um professor extraordinário, que sempre nos habituou a excelentes explicações das várias matérias. Parabéns pelo seu trabalho! É a minha opinião sincera - e agora já não pode ser considerada "graxa". :) (As notas já estão todas dadas!). Deixo em minha representação no curso de gestão o meu primo, que se encontra no 1º ano. Espero que ele tenha a mesma sorte que eu tive em ser sua aluna! Um dia ainda serei eu sua professora (de dança)! Quem sabe! :) Ou dos seus pequenos! :) Desejo-lhe muito sucesso! Obrigada!»

Julho 17, 2008

Inovação e empreendedorismo no sector público

A inovação e o empreendedorismo têm um âmbito de aplicação deveras amplo. Por exemplo, no sector público faz todo o sentido equacionar esses conceitos e sua aplicação. É o que fazem W. R. Mack, Deanna Green e Arnold Vedlitz no artigo "Innovation and Implementation in the Public Sector: An Examination of Public Entrepreneurship", saído na Review of Policy Research em Maio deste ano (Volume 25, Número 3, pp. 233-252):

«This article develops an empirical measure of public entrepreneurship and uses it to discover the correlates that distinguish between those participants in a policy domain who are seen as more or less important in the entrepreneurial process. Looking at two rural regions dealing with telemedicine technologies, the authors examine the role of personal attributes and situational attributes in predicting who will emerge as the most mentioned public entrepreneurs on these issues in their community. Status in the local community, membership in the health professions, and strong local focus and ties are the most instrumental variables in distinguishing between those in a policy domain who are more likely to be identified as entrepreneurial. The authors provide an empirical test that can, for the first time, identify in a comparative context the traits that distinguish more entrepreneurial individuals from less entrepreneurial ones (or nonentrepreneurial ones) participating in the same policy domain.»